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sábado, 28 de fevereiro de 2009




Em 16 de Abril de 2004 escrevi o texto abaixo reproduzido
que dias depois foi publicado no Blog de Fans dos UHF.



26 ANOS PELA ESTRADA DO ROCK

Uma das boas recordações que tenho da minha infância chama-se “ CAVALOS DE CORRIDA”, recordo-me como se fosse hoje que juntava todas as moedinhas para ir até à musicbox do salão de jogos que ficava perto de minha casa para ouvir os "Cavalos", não sei mas às vezes penso que essa canção é o meu emblema , a minha marca, nos últimos 25 anos esteve sempre comigo e é difícil estar dois dias seguidos sem ouvi-la. Com 8 /9 anos de idade tive o prazer de acompanhar bem de perto o “Boom do rock português” assistindo aos concertos das bandas que todas as semanas passavam pelo castelo da minha cidade. Rui Veloso, Táxi, Rock e Varius passaram todos por cá. Os UHF estiveram no campo de futebol do meu Silves F.C com a Go Graal Blues Band do Paulo Gonzo, durante a festa da Paz e da Cultura. Recordo-me pouco dessa noite mas lembro-me que estava imensa gente e claro recordo-me de que estava em cima da baliza quando estoiraram os "Cavalos". De todas as bandas, os UHF sempre foram a minha preferida, só que, nessa época para quem vivia cá em baixo a informação tardava a chegar e era difícil fazer um acompanhamento regular sobre a vida das bandas nacionais ( viva o viva música). Depois do sucesso de “À flor da pele” e do mini lp “Estou de passagem” deixei de acompanhar tão de perto a vida da banda. O meu amigo Batata era o gajo desta cidade que comprava os discos e que curtia verdadeiramente os UHF, aliás, ele era um louco pelo rock nacional tinha mesmo muita coisa. Passados uns anos quando saiu o “NOITES NEGRAS DE AZUL”, regressei em força aos UHF e fui buscar parte das coisas que tinha deixado ficar para trás, as canções e a história. Atenção para mim o NOITES NEGRAS DE AZUL é o melhor registo rock da música Portuguesa e foi este o disco que me levou a aderir em força a este culto que se chama UHF. Guardo religiosamente as minhas cassetes e os discos de vinil (que não são todos meus) na minha biblioteca musical como se de autênticas obras de arte de grande valor (aquelas obras que depois de vendidas deixam um gajo rico) se tratasse.
Em 7 de Fevereiro de 1992 resolvi ir à festa dos UHF no Coliseu dos Recreios em Lisboa ( Sitiados na 1ª parte ), uma noite de rock absolutamente fantástica, os UHF estiveram soberbos e desfilaram muitos dos êxitos da sua carreira. Recordo-me que passei por momentos difíceis, uma vez que à frente do palco era só ferro e madeira partida, como foi possível não tirarem as cadeiras do Coliseu? Parte do Coliseu ficou destruído.Não me lembro se foi antes ou depois do Coliseu mas também me cruzei com os UHF em Alvalade na 1ª parte dos Simple Minds, eu destoava de toda a gente porque tinha um cartaz a dizer UHF e todos pareciam olhar para mim. A banda só tocou 4 canções entre elas a minha favorita “ Sonhos na estrada de Sintra” e depois foi convidada a abandonar o palco no momento em que o António apresentava os Cavalos… “ HÁ 11 ANOS ELES ERAM… NÃO ERAM …” Lembras-te António? Eu nunca esqueci as tuas últimas palavras naquele fim de tarde.
Nesta altura eu nem sonhava o que estava para vir nesta minha relação com o rock e com as canções da banda. Tinha começado o ano de 93, eu estava a terminar o 12º ano e era vice-presidente da Assoc. de Estudantes da Escola Secundária de Silves. Há muito que tínhamos a ambição de fazer um concerto com uma banda nacional e como grande parte da malta estava a terminar o secundário eu e meu presidente Vasquinho entendemos que havíamos de sair em grande e decidimos realizar um grande concerto com uma banda de renome. Claro que a malta ficou toda inclinada para os Xutos e eu aos poucos fui contornando os obstáculos que me iam aparecendo no sentido de convencer a malta a optar pelos UHF. Assim foi, muito por culpa do álbum “Santa Loucura” que já rodava nas rádios com “ Um copo contigo “ e com a “ Menina estas à janela”. Organizar este concerto foi qualquer coisa de espectacular, foi acima de tudo uma aventura que deixou imensas histórias por contar e momentos inesquecíveis. Passo à frente, até ao dia em que conheci pessoalmente o António, foi na Rádio Racal uma semana antes do dia 1 de Maio data marcada para o concerto, ele veio até cá baixo fazer a promoção do álbum que estava a sair. Como a rapariga da rádio estava toda assustada por estar pouco documentada para fazer a entrevista pediu-me para colaborar e, claro que eu me cheguei logo à frente. Eu estava já sentado em frente ao micro quando o António entrou fazendo-se acompanhar pelo Fernando Delaere (o baixista), cumprimentamo-nos e pimba começamos a conversar em directo (até hoje guardo a sete chaves a gravação dessa conversa). Eu por vezes ouvia falar que o António era um tipo arrogante, nariz empinado e tal, mas o desde o primeiro momento mostrou ser alguém acessível e com o verdadeiro espírito daqueles que fazem do rock o seu culto, para mim é sempre um prazer poder trocar ideias com o ele. O concerto realizou-se no castelo de Silves teve um ambiente espectacular (está filmado e guardado num cofre) e foi um sucesso. Foi um dia espectacular e uma noite bem regada ao sabor do whisky que terminou com uma sessão de autógrafos em Albufeira numa discoteca que nos patrocinava. Em 93 ainda assisti a vários concertos da banda, incluindo o da Festa do Avante e convivi algumas vezes com os músicos, gostei imenso de conhecer o Delaere (fumava SG crava), o Rui Dias e o Renato Júnior. Após alguns anos voltei a reencontrar os UHF num concerto do 25 de Abril (uma noite bem regada naquele bar tão pequenino nas ruas estreitas de Monchique) e poucos meses mais tarde na praça Sony em Lisboa na festa dos 20 anos de carreira. Sobre essa noite guardo a lembrança do momento em que o Renato Gomes e o Peres subiram ao palco, foi brutal - “ Mãe tu és a última ponte a última loja aberta antes do recolher propicio hem…” ,“ Geraldine foi violada no quarto da mãe e agora passeia estoirada no ritmo que a vida tem…”. Após o concerto seguiu-se o bar onde os UHF também tocaram e onde eu tive privilégio de pessoalmente poder dar os parabéns ao António pelos seus 20 anos de carreira. Até hoje cruzamo-nos em Beja e no passado sábado (10-04-04) em Lagoa em mais uma noite rock (e de frio também).Hoje, daqui a 3 horas o António estará na biblioteca de Portimão para a promoção do seu livro de poemas e eu não vou poder estar presente (mas já me justifiquei via telefone).
Neste momento e olhando para o actual panorama musical do rock nacional aparecem os UHF e os Xutos transportando a bandeira do rock e fiéis a todos os seus princípios. São sem dúvida os embaixadores do Rock Nacional. No entanto existem sempre aquelas dúvidas que pairam no ar: Porquê a celebre dança dos músicos? Que relação existe entre os Xutos e os UHF? O Zé Pedro esteve no coliseu porque é que os UHF não estiveram no disco do tributo? Para quando mais um “live” dos UHF? Para quando a edição do Noites negras (e de outros discos) em cd?
Ao António já lhe enviei o meu grande agradecimento pela sua persistência e pelos 25 anos de carreira e agora faço-o aqui a todos aqueles que passaram pela família dos UHF e que ajudaram a que os UHF tenham sido ao longo de tantos anos uma referência importante do rock feito em Portugal.
CUMPRIMENTOS A TODOS OS FANS. PARA TI, ANTÓNIO, AQUELE ABRAÇO (pena que esta noite não tenhas podido jantar em Silves) AOS ACTUAIS UHF UM ABRAÇO (saudação especial ao Corte Real - é pá vai dando noticias)

UM Puro-sangue UHF
SÉRGIO COSTA - SILVES , 16 DE ABRIL DE 2004 .




Os UHF faziam então 26 anos de carreira e o António publicava um livro de poemas. Para trás tinha ficado a ópera Rock "La Pop End Rock", um disco comemorativo dos 25 anos de carreira da Banda. No texto recordei a minha aparição paralela com o Rock cantado em Português, fase tão bem retratada em "La Pop". Eu revejo-me nesse disco, no recheio eu vou aparecendo e outros como eu também.


No final do texto coloquei algumas questões para as quais hoje existem respostas. Falei sobre a não edição do "Noites Negras" em cd coisa que hoje já aconteceu, ou seja, em qualquer prateleira de música Portuguesa de uma discoteca já se pode adquirir o cd.

"Suspirava" por mais um "LIVE" e ele está a chegar. Esta programado para o próximo mês de Março o lançamento do DVD "Absolutamente ao vivo" que também contém 2 discos ao vivo. Será certamente um Video / CD espeçial porque eu estive presente na gravação em pleno Coliseu de Lisboa.

O Problema
Em Eternamente o António escreveu "Falhou-nos o catálogo Rádio Triunfo / Orfeu, representado pela Movieplay entre o Outono de 82 e a queda das folhas em 85. Lamentamos.Não pela importância comercial das canções, mas apenas pela cronologia das coisas gravadas."


Gostava de referir que esta situação "merdosa" se mantêm dado que uma canção com clara cultura UHF teve que ser excluida do DVD. Não se vislumbra no horizonte a edição de coisas em cd como "Celulóide" ,"Devo eu" e até mesmo umas minhas canções preferidas "Puseste o diabo em mim". Bom isto cheteia e bloqueia. Chateia aqueles que tal como eu conheçeram os primeiros anos da banda e que claramente gostariam de ter essas canções noutro formato que não o vinil, bloqueia os novatos de poderem ter acesso a toda a obra produzida pelo António Manuel. Vá lá entender-se estas coisas quando se fala de canções com mais de 25 anos.


Na "Comédia Humana" havia uma canção que se chamava "Do Zero" que falava de inveja, de um recomeço, de contra-tempos, de raiva. E é com "raiva que temos que continuar a engrandecer a história.Toca a prosseguir.
Sérginho
Fevereiro 09

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