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segunda-feira, 18 de julho de 2011

MECO PÓ N´ROLL 2







Sempre gostei de festivais, na verdade, de todos os que fui houve qualquer coisa que ficou. Há muitos anos vi pela primeira vez os Massive Attack e nunca mais parei de os acompanhar, pelo nome imaginava os Massive uma banda de metal ou punk. Os Lamb, Placebo e os Portishead foram outras bandas que quando vi ao vivo ou desconhecia ou conhecia muito pouco. Desta vez a ida ao Meco tinha muito pouco a ver com a possibilidade de conhecer novas bandas ou tendências musicais, os Portishead e os Arcade Fire foram na verdade as bandas que me fizeram ir ao Meco, depois tudo o que de bom aparece-se seria de ganho.




O dia 15 começou com o atraso do Freitas, ainda que por breves minutos e depois com o habitual atraso do Raposo.




A viagem fez-se ao calor inerente ao mês de Julho que foi combatido com o ar condicionado do Leão. Tudo corria bem quando o Ti Manel na sua Renault 4L resolveu ultrapassar o Leão, o que resultou em provocação e gozo por parte do Freitas e do Raposo.




Enfim, tive que gramar com os 2 até ao momento em que o Leão violou um Citroen AX retirando-o de cena.




Chegamos cedo ao recinto do festival, comemos umas sandes feitas pela nossa Dorinha, bebemos uma cervejola quente providenciada pelo Raposinho (barraca atrás de barraca) e decidimos ir até à praia onde milhares de festivaleiros se amontoavam na areia. No mar frio e picado pouca gente, ainda assim, vimos um aventureiro rebolar pelo meio de uma onda.




Visto o ambiente, ali ficamos durante alguns minutos, tempo suficiente para apanharmos uma enorme fila no regresso rumo ao local do festival. Mais de uma hora de fila em estrada estreita com uma paciência de santo a aturar o Raposinho, imperinente talvez porque não tivesse dormido a folga. À nossa volta a policia fazia que fazia e nada resolvia.




Na primeira ocasião que surgiu encostei o Leão e lá fomos para o recinto do espectáculo para ver o ambiente, beber umas fresquinhas, esperar o inicio dos concertos e levar com a poeira.





Ainda de dia surgiu em palco o "Noiserv", um rapaz que salta de instrumento para instrumento com alguma pericia mas que é um bocejo autêntico para aquele ambiente. Tanta melancolia num ambiente que se queria de festa resulta de um erro de casting da fraca organização do festival.





Rodrigo Leão um compositor fantástico, acompanhado de uma banda soberba conseguiu arrancar aplausos e pôr os mais alegres a dançar. As suas canções com nova roupagem soaram-me bem, mas sou obrigado a reconhecer que também não é som para aquele recinto e para a ocasião. Ainda assim, é de louvar este fantástico projecto que apresenta um nivel qualitativo muito acima da média do que se faz em Portugal. Olhar para o palco e ver o Rodrigo com o seu estilo inconfundivel faz-me lembrar os dias felizes da Sétima Legião.





Os "The Gift" bem mais energéticos entraram em palco ao cair da noite, apresentando canções bem animadas e uma incrivel prestação da sua vocalista Sónia Tavares. Tinha visto há alguns anos um concerto da banda e não tinha gostado, nunca lhes peguei desde então, mas tenho que ser justo e reconhecer que se revelaram numa boa surpresa.





Uma das minhas grandes expectativas para este festival tinha a ver com o famoso "Legendary Tiger Man", um homem só, criativo (dizem), elogiado por apreciadores de música e positivamente mencionado em toda a imprensa. O Paulo (o Tigre) apareceu em cena para ver o Noiserv e de água em punho conversou com alguns amigos, ali mesmo ao nosso lado (ver foto no post seguinte). Deixamos os "The Gift" e lá fomos ver o Paulo, na verdade eu nunca tinha ouvido uma única nota produzida pelo rapaz. Quando lá chegamos já o Tiger lutava contra o som que vinha do palco principal, lançando indirectas à organização - "Mete isso no máximo, se rebentar rebentou". Em tantos anos de Sudoeste nunca tinha visto tal coisa, o palco principal a interferir com o secundário. Quando ouvi o som o Tiger imediatamente me veio à cabeça um concerto memorável na Costa Vicentina dos Jon Spencer Blues Explosion, mais tarde o Freitas falou sobre isso e recordou que ambos tinhamos comprado o disco da altura. Guitarra alta, voz distorcida e muito baixa mancharam a actuação do músico perante milhares de admiradores. O Freitas acha que o Tiger terá mais a ganhar se tocar com banda e eu concordo totalmente. Ainda assim, na próxima ocasião não hesitarei em ir ver o Tiger, não gostei do som nesta ocasião mas gostei da intensidade blues que o Tiger transporta. Aguardarei pela próxima oportunidade.




Seguiu-se a banda de culto - PORTISHEAD



No trip Hop os meus preferidos são os Massive Attack, mas Beth Gibbons dos Portishead é um fenomeno. Gostei do alinhamento do concerto, a banda passou em revisitou a sua curta discografia em alternância com as canções do último disco de originais "Third" que teve a sua edição no longinquo ano de 08. Ao fundo as imagens desconcertantes a preto e branco captando grandes plano da face lateral de Beth, do bombo da bateria, das mãos dos músicos ou breves passagens pelo público. Não gostei de algumas imagens coloridas fazendo lembrar os primórdios tempos dos videos dos anos 70. Foi bom ouvir Roads, Glory Box ou Comboys no rol das canções de culto, embora a abertura com Silence também tenha sido fantástica.



Uma coisa que eu gosto nesta banda é que não despejam música, zelam pela qualidade e desde 91 apenas apresentam 3 albuns originais. A pressão de gravar não fez parte da vida da banda e os seus discos são todos respeitados. Que os Portishead regressem sempre e que na próxima vez me cruze com eles no Coliseu ou no Campo Pequeno, salas que tenho certeza são mais valias para o seu som intimista.. O público Português brindou os Portishead com bonitas ovações, pena foi que no final a banda não tivesse direito a um merecido encore.



ARCADE FIRE



Há uma meses liguei a tv no segundo canal e estava a dar um concerto, apanhei-o a meio e segui-o até ao fim, no final nem cheguei a saber o nome da banda. Só depois fiquei a saber que se tratava dos Arcade Fire a banda que teve que cancelar o seu concerto lotado no atlântico por causa de uma reunião de politicos no Parque das Nacões. O Atlântico deslocou-se para o Meco e a ele juntaram-se muitos outros milhares de seguidores. Os bilhetes diários para a segunda noite de festival esgotaram-se muito por culpa da presença dos Arcade Fire, uma banda que diverte em palco, que transmite uma alegria que contagia. Em palco 8 músicos pulam, dançam, cantam e rodam pelos instrumentos. O som alegre situa-se entre o rock e o folk, com os violinos a fazerem lembrar o bons velhos tempos dos Waterboys de Mike Scott. Os fans despejaram toda a sua energia no Meco, pulos, braços no ar e coros afinados fizeram esquecer a poeira que voava pelo recinto. "No cars go", "We used to wait", "Power out" e "Rebellion (lies)" foram algumas das canções que deixaram marca neste festival. Deu para perceber que para Portugal os Arcade já são uma mega banda, venham mais 10 vezes que terão o povo de braços abertos para os receber.






Depois de passagens pelo passeio de algés, pela zona da expo (super bock super rock), Sudoeste e pelo tôpo de gama dos festivais Vilar de Mouros já haviam alguns anos que não ia a um festival desta dimensão. Não basta montar um recinto para fazer concertos, há que dotá-lo de condições que possam proporcionar "comididade" e qualidade a quem paga 45€ e 80 € por um bilhete e este foi claramente o festival mais mal organizado a que fui. Maus acessos, poeira e mais poeira, lixo amontoado, poucos wc´s e os que haviam estavam muito longe do palco principal.O acesso a parte do wc feminino fazia-se muito perto dos urinóis, algo incompreensivel porque naquela zona havia espaço com fartura. O recinto onde as principais bandas actuaram era estreito embora fosse comprido o que provocou uma elevada aglomeração de gente. Entre os Portishead e os Arcade comentava que caso acontece-se algum imprevisto que haveriam sérios problemas no escoamento do recinto e hoje quando assistia às noticias vi que no Canadá o palco onde actuavam os Cheap Trick tinha caido devido ao vento que se fazia sentir. Enfim, estas coisas não acontecem só aos outros.



Acabamos por assistir a parte dos dois últimos concertos de um plano superior que nos proporcionou um horizonte espectacular sobre todo o recinto, mas a nosso lado centenas de festivaleiros utilizaram as delimitações do recinto para urinar (elas e eles) devido ao facto do acesso aos wc´s estarem vedados pelo aglomerado de gente.






Na entrada para o recinto passei pelo amontoado de tendas que se situavam numa zona a que a organização chamou de parque de campismo, de tenda para tenda não havia um dedo sequer. Mais acima enormes filas para o banho e acesso a casas de banho






No final, uma última imperial, um pão com chouriço e o rifft de Money for nothing vIndo do palco secundário, interpretado por uma banda disco que tanto parecia os Bee Gees ou os U2 nos "áureos" tempos do Pop.



Rumamos para a praia do Meco onde aproveitamos o posto de vigia do nadador salvador para dormir umas horas. Quando estava pronto para dormir o Freitas colocou ao pé de mim o seu telemóvel com o som do Noiserv. Soou-me a qualquer coisa de melhor qualidade, mas não consegui evitar e dormi mesmo.



Enfim, ficou a música, ficou o prazer que a música me trouxe, alguns bons momentos para recordar, mas tive que ter uma paciência enorma para aguentar os dois cromos que guiei. Se não fosse eu ainda hoje lá estavam perdidos à procura da porta do festival ou de uma casa de banho para mijar.






Venha mais música, seja onde fôr, mas ao "teenager" festival do Meco não tenciono voltar.



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