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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Nos próximos tempos irei publicar os bilhetes de concertos que ao longo dos anos fui guardando. Faltam-me muitos bilhetes, uns porque não guardei, outros porque perdi. Ainda assim, tenho muitas lembranças das noites que fui passando frente aos palcos, sempre com a música como pano de fundo.

Cada bilhete receberá o meu comentário. Todos ou pelo menos quase todos estão associados a passagens da vida junto aos meus amigos.

Começo pelos UHF no Coliseu dos Recreios em 1991

Este concerto marcou uma viragem na minha vida no que se refere a concertos. Até aqui tinha assistido a imensos concertos, mas quase todos eles em Silves. Silves é uma Cidade que ficou associada ao movimento do Boom do Rock Português. Os próprios UHF passaram por Silves no ínicio da sua actividade enquanto vanda de rock. Foi incrivel, eu estava lá apesar de só ter 8 ou 9 anos, tal como estive nos Táxi, no Veloso ou nos Roquivários.
A passagem dos UHF pelo Coliseu abriu-me as portas aos grandes palcos. O Coliseu foi o meu primeiro grande palco e o segundo foi o palco dos Simple Minds montado a meio do Estádio José de Alvalade, onde curiosamente também estiveram os UHF e o Joe Cocker. Em 1991 os grandes nomes da música já faziam fila para entrar em Alvalade - Santana, Paul Simon - passaram por lá.

A minha avó foi operada dias antes do Coliseu e uma deslocação a Lisboa para a visitar possibilitou-me o reencontro com que tanto sonhei desde o ínicio da década de 80. Voltar a ver o UHF e logo no Coliseu era algo fantástico. Foi uma noite para nunca mais esquecer.
Fui sozinho, não consegui convencer o meu primo Miguel a ir comigo e  acabei por ser um dos primeiros a entrar para o Coliseu. O som de fundo era o album dos Dire Straits "Brothers in Arms" e pacientemente aguardei pela entrada da banda suporte, os Sitiados, banda da qual conhecia uma passagem num disco do Rock Rendez Vous. Jamais imaginaria que os Sitiados tinham uma nova sonoridade.Os Sitiados já não eram uma banda de música moderna Portuguesa. A entrada da Sandra e do João em palco ao som da bateria em "Vida de Marinheiro" foi algo que me deu a perceber tratar-se de um novo fenómeno musical na música Portuguesa. O João (que deus o tenha) tornou-se numa figura concensual para os amantes da música e os Sitiados transformaram-se no expoente máximo da festa em palco que todas as noites saltava para a plateia. Foi Soberbo.

À chegada a palco os UHF criaram logo um grande momento na canção de abertura "Comédia Humana" - "Meu deus que comédia é esta / Os homens as armas e a guerra".
Um grito em eco que nunca mais me saiu da memória. Nos dias de hoje quando oiço esta canção volto várias vezes esta parte atrás nessa parte.
Outra das canções de que me lembro de ter gostado bastante e que por acaso até nem esperava que tivesse no alinhamento foi "Voo para a Venezuela", uma canção sublime, parte suave de um disco de originais que na sua maioria é agressivo - "Persona Non Grata".
"Este Filme", "Estou de passagem","Fogo (tanto me atrais), "Brincar no fogo", "Nove anos", "Rua do Carmo" e claro "Cavalos de Corrida" foram alguns dos temas que desfilaram noite dentro.

O concerto foi dividido em três andamentos, "O Fogo", "A Farsa" e se não me engano "O Amor". A cada um destes andamentos foram atribuidas determinadas canções e também um convidado. Lembro-me que a Lena D´Agua que até nem estava em cartaz cantou "Sempre que o amor me quiser", Jorge Palma cantou o seu tema "Frágil" e acompanhou AMR em "Gin Puro". Zé Pedro dos Xutos, sem querer cair em erro, esteve em "Completamente Infiel" e dos Xutos tocaram "Barcos Gregos" (ou se me amas????).
No final o António gritou :
"- O nosso amor pelos Xutos e Pontapés".
Este grito levou-me a esperar anos a fio para que fosse retribuida a gentileza do gesto. Desisti.

Mais dois momentos que não esqueci, "Sonhos na estrada de Sintra" com a "Amélia Recruta" pelo meio e claro "Geraldine" toda ela contornada com o sax do Renato Júnior, um músico de quem sempre gostei imenso. Pelo meio da canção a fusão entre o poema que abre "Ao vivo no jogo da noite" e o poema de "Ébrios pela vida" a faixa que fecha "Á flôr da Pele" - "...e quando o momento chegar quero ficar no pensamento da madrugada / Amanhã é outro dia, voltaremos enquanto a promessa da vida resistir / com uma esperança de sabor diferente / e a nós aqui hoje, tanto me faz, tanto me faz.
Resistei este momento, acho que é sempre assim nos concertos ou em qualquer espectáculo, registamos aquilo de que mais gostamos e que nos marca.

Uns anos mais tarde para minha surpresa algumas destas canções aparecem em video num programa de tv. Recordo-me bem das câmaras dentro do Coliseu. Tenho esses momentos registados.

Por último, regresso ao principio. As cadeiras do Coliseu não foram retiradas e as primeiras filas tombaram mal a malta se começou a pôr de pé em cima delas. Algumas filas de cadeiras tombaram ao som dos Sitiados e outras ao som dos UHF. Acreditem, eu vi o concerto em cima de um monte de madeira e de ferro e por sorte, por muita sorte não houve pessoas feridas.

Guardo esta jornada no Coliseu com muito carinho porque a partir daqui o meu contacto com a banda jamais se voltou a perder, algo que aconteceu por alturas de 1983 até 1988. Não era fácil nesse tempo, as coisas não chegavam cá baixo de forma tão rápida. As rádios locais acabariam em parte por encurtar a distância entre as pequenas cidades como Silves e o que se fazia em Almada.

Estive nos dois Coliseus, duas fases distintas da carreira da banda. Pelo meio participei na festa dos 20 anos com a já extinta Praça Sony à pinha, três momentos históricos para os UHF e dos quais me orgulho de ter estado presente.

Cerca de dois depois do Coliseu conheci o António num frente a frente na rádio da minha cidade e recordamos algumas passagens da noite de 7 de Fevereiro de 1991. Lembro-me do António a recordar a "Comédia Humana" e dizer "...ao mesmo tempo o Bruce Springsteen compôs e lançou "Human Touch". De repente estavamos a falar do mesmo e até parecia que tinhamos ligado um para o outro".


É tú Mário por onde andavas no dia 7 de Feveiro?


U   H   F

Nuno Filipe - Baixo
Renato Júnior - Teclas e Sax
Toninho - Guitarra
Luis Espirito Santo - Bateria
António - Voz e Guitarra



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