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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

BOOK STAGE - Nos bastidores do Rock Portugues



Quando em 1982 os UHF ediraram "Personna no grata" já eu os tinha visto ao vivo. Á escuta sobresaia "Um mau rapaz", a canção mais mediática de um disco duro, agressivo e de menor assimilação que os anteriores. Eu tinha 10 anos mal sabia que os UHF já andavam aos repelões com as editoras, nem sabia o que isso era. Sabia isso sim que existia uma quantidade de gente a fazer canções novas, canções energéticas, que desalinhavam em relação ao que eu via e ouvia nos festivais da canção, a chamada música ligeira. Havia três canções tremendas, "Cavalos de Corrida", "Chico Fininho" e "Rua do Carmo" a que mais tarde se juntou "Chiclete" dos Táxi e "Chamei a Policia" dos Trabalhadores do Comércio. O mundo musical passou em parte a girar em torno desta gente jovem que se aventurava na busca do sonho de fazer carreira na música. Em parte os artistas que cantavam em Inglês ou desapareceram ou também começaram a cantar em Português. Bons tempos, tempos em que as Rádios Nacionais eram o veiculo transmissor daquilo que se ia passando nas grandes cidades.

Almada viu nascer o movimento com um disco que se chamou "Jorge Morreu", um disco em formato de single que continha mais duas canções para além da canção titulo. Apoiados nesse disco e no single "Cavalos de Corrida" os UHF fizeram a sua primeira aparição em Silves e sendo esse o primeiro concerto da minha vida. Fantástico, apesar dos poucos flashes de memória que me sobram, mas recordo-me bem dos Cavalos. Fanatismo puro, emoção e devoção à canção mãe. Era sempre assim cada vez que a canção tocava. Os "Cavalos de Corrida" são a explosão de um movimento musical e são o inicio do meu gosto pela música, por isso continuo a adorar tal e qual como nesses tempos.

Em Silves, vi no ínicio dos anos 80 o Rui Veloso, os Roquivários, os Táxi, estes no Castelo e os UHF, os primeiros de todos no Estádio Dr. Francisco Vieira. As multidões acotovelavam-se para conseguir o melhor lugar e era quase impossivel saltar. Uns anos mais tarde, Gnr, Delfins, Xutos, Essa Entente, Rádio Macau e muitos outros, também passaram por entre as muralhas do Castelo que quase chegou a tornar-se num templo musical. Os UHF e o Rui Veloso também regressariam a Silves. Peste e Sida e Setima Legião também por cá passaram.

Ao Rock Português, seguiu-se uma nova corrente com denominação - Musica Moderna Portuguesa.
Novas bandas foram aparecendo e outras desaparecendo. Outros foram-se mantendo apesar de todas as dificuldades existentes e dos parcos apoios que Portugal sempre deu à cultura, aliás, sempre existiram aqueles que tentavam fazer crer que os concertos no RRV não eram cultura, por exemplo.

Tenho saudades desses tempos.
Tenho saudades dos tempos em que as pessoas ouviam os discos e não apenas uma ou duas canções. Tenho saudades dos tempos em que o vinil circulava, tal como as cassetes.Dos tempos em que as rádios não destruiam as canções, dos tempos em que para ouvir determinada canção se tinha que ligar o rádio e esperar pelo Luis Filipe Barros ou no caso da TV, pelo Jorge Pêgo.
Passei tempos e tempos junto aos meus amigos a gravar cassetes, a elaborar alinhamentos, a ver o vinil rodar. Hoje, acho que tudo é mais rápido, vejo a música como algo meramente comercial, não lhe reconheço o carrisma e a mística, se bem que existem algumas excepções.

Depois de amanhã (27.10), no Casino do Estoril será publicado um livro para redordar os tempos do Boom do Rock Português, um livro que contêm entrevistas com alguns daqueles nesses tempos estiveram à cabeça do movimento:

Zé Leonel (falecido em 2011)
Zé Pedro
António Manuel Ribeiro
Sérgio Castro, entre outros.

Saúdo a ideia por achar ser um livro necessário e fundamental para os amantes das canções e bandas da época.
Estou obviamente ansioso para ler os textos que resultaram das conversas com o António Manuel Ribeiro, o lider carismático da minha banda de sempre.

O livro chama-se "Book Stage - nos bastidores do rock português" e é de autoria de Luis Silva do Ó e de Bruno Gonçalves.

Naturalmente eu não deixarei passar esta data e este acontecimento ao mesmo tempo que me sinto honrado em poder participar na homenagem ao Zé Leonel, membro dos EX-Votos e fundador dos Xutos.No Estoril o Zé Leonel terá a sua merecida homenagem.

O Luis Silva do Ó já me prometeu algumas surpresas, deixou-me curioso.

Depois de amanhã serei mais um para contar como se escreveu mais uma pagina do Rock Português.


Sérgio Costa

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