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segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Book Stage - O primeiro Olhar


Book Stage, nos bastidores do Rock Português é o primeiro livro que conheço que aborda a temática do Boom do Rock Português. Ainda não li o livro todo, vou lendo devagarinho, vou gozando, quanto mais depressa o ler mais depressa termina o gozo. Quero gozar o mais que poder.

Na verdade o livro não fala em coisas que não se saibam ou que não se adivinha-se, sendo a sua mais a valia o aprofundar descritivo dos acontecimentos pela voz de quem esteve por dentro das experiencias. Todos sabemos que normalmente os projectos musicais terminam porque ou deixam de vender ou porque os conflitos internos ferem de morte os relacionamentos entre os elementos da banda. Book Stage transporta-nos para o interior das situações, das coisas boas e das coisas más também.

António Garcez falou abertamente sobre os problemas bombásticos que afectavam as suas bandas, revelou-se um senhor Rock N´Roll, auto denominou-se de grande, de melhor, de líder. Teve e tem o seu estilo peculiar, comprou quem quis e compra quem quer, mostrou ser avesso às pressões externas e não ter problemas em enfrentar que lhe declarou guerra. A sua entrevista é cativante, fresca e divertida revelando episódios acontecidos cá dentro do rectângulo, mas com dimensão de grande estrela rock planetária.

Quando à entrada dos anos 80 vi os Roxigénio no Castelo de Silves mal imaginava quem tinha pela frente. Que coisa, eu não conhecia este nome até há uns dias. No Sábado quando falava com o A.G ele perguntou no seu Português Americano:

“Então e recordas-te dessa noite? Gostas-te?”

Eu respondi:

“Olha, isso foi há mais ou menos 30 anos, é muito tempo e eu não vos conhecia. Lembro-me do vosso guitarrista porque era incrível e também me lembro que nessa noite também tocou ou o Rui Veloso, ou os Táxi ou os Roquivários”.

O guitarrista de que falava era o Filipe Mendes, hoje Phil Mendrix, um membro dos Ena Pá ou dos Irmãos Catita. O Filipe já conta com 50 anos de carreira e era um músico Rock N´Roll do melhor que este pais teve, no entanto não me recordo de o ver no topo. Quanto aos Roxigénio o que conheço deles foi o que o you tube me disponibilizou e ainda hoje não tenho nada deles na minha discografia.

Este livro trouxe as histórias que a sonoridade esconde, o porquê do início, o porquê do fim e isso é importante para todos os que gostam de música. Apesar de estas terem sido experiências vividas dentro do universo do Rock Portugues são primeiro que tudo histórias da música, por isso, eu penso que este livro é um documento para todos os que gostam de música e se interessam pelo que está por trás das canções.

AMR

A primeira entrevista que li foi a do António Manuel Ribeiro (a segunda do livro), o mentor e líder carismático dos UHF, a minha banda, umas das bandas mais importantes de Portugal, uma banda alvo de imensas paixões e ódios também.

Eu escrevo muito sobre os UHF, uns textos público, outros nem por isso. Nem sempre estou do lado das opções tomadas, mas tenho a plena convicção de que a discografia dos UHF é algo que me preenche de sobremaneira. Em muitos momentos a história das canções parece a história de episódios da minha vida, passagens que ficam registadas algures pelo meio de cada disco. Esta força é enorme, a minha devoção também.

A entrevista do AMR revela os tempos primórdios da banda e desmembra um bocadinho da estrutura do passado dos UHF, nomeadamente no que diz respeito à célebre dança dos músicos, tema sobre o qual o António ao longo dos foi falando superficialmente, o que é entendível. As memórias emergiram, ganhei também conhecimento, outras já nem me recordo o que desde já me obriga a fazer uma segunda leitura no final. Foi bom, foi especial porque a determinada altura o Luís colocou questões ao AMR que também eu lhe coloquei há muitos e muitos anos. Hoje, já não falo tanto com o António quanto devia ou gostaria mas, gosto de o encontrar, após um concerto faço questão de o cumprimentar. Em tempos as conversas de camarim (ou em bares) eram mais frequentes, sujeitava-me às conversas cruzadas em que participavam outros fans que mais pareciam interrogatórios. Hoje, fujo disso, falta-me a paciência para esses diálogos sobrepostos onde toda a gente falava e ninguém dizia nada, uns estavam em zigue e outros em zague. Ontem, senti-me novamente a falar com o António, o Book Stage proporcionou-me isso. À grande.

Por exemplo na Amadora, em Setembro deste ano, estava eu ali de ladecos, à espera que o António acaba-se de atender todas as suas solicitações para me assinar um disco que tinha comprado para oferecer a um amigo, quando apareceu um barril de cerveja ou uma garrafa de vinho, não sei bem, que insistentemente falava sobre o Benfica e o Jorge Jesus. A bebedeira não se calava.

Passando à frente e depois de ler as respostas do AMR, lembrei-me de algo que não existe mas de que eu já tenho saudades – A AUTO-BIOGRAFIA DOS UHF.

Honestamente acho inevitável que isso não venha a acontecer porque a história dos UHF não pode ficar à mercê do que se escreveu, se escreve ou se vai escrever pela comunicação social ou até mesmo em livros como é o Book Stage que ainda assim está no cume da credibilidade.

A história dos UHF não pode correr o risco de um dia vir a ser contada por alguém que nunca esteve nos UHF, o valor não será o mesmo. Bem sei que não é fácil, sei que caminhamos para os 35 anos de história, de amores e desamores, mas também sei que esse choque é inevitável.

Curioso ou não foi a representação dos fans dos UHF nesta iniciativa, a malta estava lá e como sempre identificada. Todos ganhamos com este convívio revelador da harmonia que se vive no seio desta família que se chama UHFANS. Numa fase social Mundial conturbada é bom estarmos ao pé de pessoas que respiram alegria, pessoas que gostam e se divertem com coisas de que também eu gosto. As dificuldades e as tristezas mais uma vez ficaram à porta. Eu não acredito em perfeição, mas estas coisas andam bem por perto. Aos meus amigos na família UHF, a todos e não só aos que já conheci pessoalmente aqui expresso a minha admiração e aqui deixo o meu cumprimento. Que todos continuem a caminhar ombro a ombro com os UHF.

As últimas linhas vão para os autores do Book Stage, o Luís e o Bruno. Grande iniciativa, gostava de ter estado ali ao vosso lado só a ouvir cada um dos músicos entrevistados, uns mais que outros é certo, mas todos com o seu valor. Todos deram a sua contribuição para que o Rock se fizesse em Portugal e em Português. As memórias desses tempos, que jamais deixei adormecer, estão mais fortes hoje que na Sexta-feira passada. A festa de lançamento do livro foi bonita, emocionante e histórica. A culpa é vossa.



Um abraço.



Sérgio Costa


28 de Outubro de 2012, entre Lisboa e Silves.

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