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quarta-feira, 24 de julho de 2013

HAMMERSMITH FOI HÁ 30 ANOS...


O Brothers in Arms havia sido lançado já há uns bons tempos quando um dia na discoteca "A Poucachinha", em Portimão, vi uma cassete com o album "Love Over Gold".Eu pensava que os DS eram uma banda recente, com um disco publicado e que aquele seria um disco novo. Quando cheguei a Silves fui ter com o meu primo Raul Filipe e contei-lhe o que haveria visto, ele acabou de almoçar, levou-me ao quarto e deu-me uma cassete:

"Toma lá, ouve isto, se gostas tanto de DS tens que ouvir o disco ao vivo."

Percebi que os DS tinham um histórico, ao qual não tinha um acesso tão facilitado como nos dias de hoje em que basta um click e temos à disposição a vida de uma banda.

Fui para casa a correr, eu vibrava com os DS e estava ansioso. Naquela época tinha um leitor gravador que a minha mãe e a minha tia Antonieta me tinham oferecido a meias pelo Natal e era nesse aparelho que ouvia o meu som. Começei pelo lado B da cassete curiosamente, o lado A do disco 2. "Two young Lovers", toca a puxar a fita para trás, outras vez e mais outra vez. Demorei a passar para "Tunnel of Love". Pouco depois a fita da consumida "Memorex" enrolou. Pânico total, a que se seguiu uma operação que não correu lá muito bem. Ainda assim, a cassete continuou a tocar.
Durante anos passei muito do meu tempo ao lado destas canções e o Alchemy viria a transformar-se no meu disco preferido, está á frente de todos os discos. Gosto de todas as canções, adoro a intro, faço uma vénia ao final com "Going Home". Pelo meio, o que acontece não é adjectivável. Apenas sublinho o solo de "Sultans of Swing" por ser algum que unia os meus amigos do Bairro em torno de uma aparelhagem.

O meu primo Raul, um músico que tocava instrumentos de sopro, passava algum do seu tempo a tocar "Your Latest Trick", vibrava com o sax de Mel Collins, mas era de Private Investigations que ele gostava mesmo à séria. Eu também adorava e adora a canção.


Foi o meu primeiro vinil, foi meu companheiro de caminhada para a escola secundária, foi com ele que passei tardes com os meus amigos da época, na sala da Associação de Estudantes, junto ao gira discos que só mais tarde vim a ter. Lembro-me que havia um rapaz em Silves, que infelizmente já faleceu, que andava pela rua com o disco debaixo do braço. Era o culto do Vinil.

Lembro-me que desenhava as setas da convergência e da divergência por tudo quanto eram armários, mesas e cadeiras da escola onde uns anos mais tarde fui funcionário durante 12 anos. Durante muito tempo encontrava esses desenhos e as palavras ALCHEMY - DIRE STRAITS LIVE.

Uns tempos mais tarde foi o irmão do Raúl que entrou em cena. O meu primo António ofereceu-me o Alchemy em VHS. Tenho a cassete guardada, é uma reliquia e já vale uns bons euros. Ai, deixei o gira discos e passei para o video, passei para o video que não tinha e era na sua casa que passava algum do meu tempo, muitas vezes sozinho a ver o Alchemy.

Ontem 23 de Julho fez 30 anos que o ALCHEMY foi gravado. 30 anos.
Fez ontem 30 anos que se fechou a tour Love Over Gold em Londres, no Hammersmith Odeon, uma digressão que havia tido inicio no final de Novembro de 1982 com concertos, na Europa, Japão e Australia / Noza Zelandia onde os DS passaram o mês de Março de 1983 em concertos.

O Alchemy tornou-se numa parcela da discografia de grandes amantes de música, tornou-se numa referência cultural, num disco de culto, sendo um disco simples e sem os truques que os overdubs conferem.

Costumo dizer que o Mark nunca fez nada mau, talvez por ser um tipo que sempre se esteve a cagar para as imposições  que muitas das vezes os artistas são sujeitos e passados tentos anos a sua criatividade continua pura e intacta. Pelo meio deste trajecto longinquo saliento os diversos registos sonoros que os discos testemunham, desde os tempos DS até à carreira a solo, passando pelas bandas sonoras. É um génio. Eles foram uns génios enormes. Foram grandes do inicio até ao fim e a obra fala por si.

Hoje, entre a celebração dos 30 anos desde o último concerto da LOG Tour e a noite de Málaga (27.7) tenho que agradecer ao meu primo Raul, ele foi o responsável pela minha assumida paixão pelo Alchemy.

Eu lembro-me destas coisas, lembro-me porque na época foram coisas muito importantes para mim.

Para ti Raul, aquele abraço!

Sérginho

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